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Bacharel em Direito
Jane Rohden
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J
Jane Rohden
Comentário ·
há 10 anos
Mais votados: impeachment e “fora o Cunha ladrão”
Luiz Flávio Gomes
·
há 10 anos
Caro Igor,
Muito obrigada por comentar. Peço perdão se meu comentário te deixou exaltado.
Realmente temos visões muito distintas sobre o assunto. Não concordo com o que disse, mas respeito e, por isso, tentarei não alongar mais o debate.
Gostaria apenas de fazer alguns esclarecimentos (não pelo debate, mas para elucidar minha opinião, já que obviamente não me fiz entender).
Me referi a "utilitarismo de Jeremy Bentham" para restringir o âmbito de abordagem relativo ao pensamento rotulado como utilitarista. O intuito era justamente evitar o equívoco acima colocado.
A intenção era, portanto, excluir Stuart Mill de minhas considerações. Afinal, ao tentar conciliar sua formação racional utilitarista, herdada do pai James Mill, com os valores cristãos e progressistas que lhe foram trazidos pelo grande amor de sua vida, sua esposa Harriet Taylor, Stuart Mill acabou por negar substancialmente o utilitarismo benthaniano (claro que essa não é uma conclusão exposta por Mill, mas por seus críticos, como Michael Sandels).
Quanto ao argumento de que Jeremy Bentham não é o fundador da doutrina utilitarista, agradeço a ponderação, mas a afirmação de que ele é sim não é minha (o que não quer dizer que ele tenha sido o primeiro ser humano na face da Terra a pensar de maneira utilitarista).
A questão é que não tenho a pretensão de fazer aqui (em um mero comentário a um post) considerações próprias a respeito do utilitarismo, todas as afirmações que fiz sobre essa doutrina provêm de argumentos expostos pelos seus críticos, em especial por Jonh Rawls.
Assim, quem afirma que o utilitarismo desconsidera direitos individuais e que é uma teoria moral teleológica ("torna o valor moral do que quer que seja dependente do fim visado") não sou eu, é Jonh Rawls. Mas, você tem todo o direito de discordar dele, assim como eu tenho todo o direito de concordar.
Além disso, jamais tive a intenção de afirmar que o raciocínio utilitário benthaniano somente produza resultados ruins (se fosse assim ele teria merecido, na história, o mesmo lugar que o fascismo e o nazismo mereceram). A questão é que ele nem sempre produz resultados positivos, e os resultados positivos que produz também podem ser alcançados por outras doutrinas que perseveram na crença de um Direito Natural.
Em outro ponto, ao me referir a impeachment e corrupção estava apenas considerando uma possibilidade argumentativa diante do disposto no inc. V do art 85 da CF. O que, de modo algum, traduz minha posição definitiva sobre o assunto. Apenas considerei um argumento para o debate.
Todavia, para não aparentar que tenho tal opinião, retifico o comentário publicado acima.
Já no que concerne a legitimidade ou não de Michel Temer, continuo a crer em sua ilegitimidade e a considerar que o melhor caminho seria a convocação de novas eleições (aconteça o que acontecer, haja ou não impeachment, pois também acredito na ilegitimidade de Dilma, não porque tenha cometido crime de responsabilidade, mas porque traiu o projeto político que a elegeu). Conheço bem os dispositivos constitucionais, todavia minha opinião se distancia muito de uma análise positivista do assunto. Mas, essa é apenas minha opinião e peço que a respeite, apenas isso, não precisa concordar, apenas respeitar.
Por fim, recomendo muitíssimo a leitura do excelente parecer elaborado pelos ilustríssimos professores e doutores, Juarez Tavares e Geraldo Prado: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2015/12/Juarez.pdf.
No mais, parabenizo imensamente você pelo vasto conhecimento e pelos sólidos argumentos.
Grande abraço.
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Luiz Flávio Gomes
Artigo ·
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